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A dois dias do Conselho Europeu

Blair recusa-se a congelar o "cheque britânico" após reunião com Juncker

14.06.2005 - 12:12

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O primeiro-ministro britânico Tony Blair recusou uma proposta formal da União Europeia (UE) para congelar o chamado "cheque britânico" entre 2007 e 1013 na reunião que manteve com o actual presidente da UE, o luxemburguês Jean-Claude Juncker, segundo um porta-voz de Downing Street, que considerou a proposta "inaceitável".

DR


O "cheque britânico" é um privilégio conseguido durante o Executivo de Margaret Thatcher, em 1984, mediante o qual a UE devolve ao Reino Unido cerca de cinco mil milhões de euros por ano em compensação pelas ajudas agrárias que o país concede a outros países.

A reunião com Juncker ocorreu hoje cedo, antes de Blair viajar para Paris para se encontrar com o Presidente francês, Jacques Chirac, com quem manterá uma reunião sobre este mesmo tema, prevendo-se que seja uma conversa pautada por diversas tensões.

Chirac pediu ao Reino Unido que renegoceie o congelamento do "cheque britânico" - algo em que também estão de acordo a Alemanha, a Polónia e a Espanha - ao passo que Blair insiste em que apenas está disposto a renegociar caso se reduzam os gastos no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC), da qual a França é a principal beneficiária.

Apesar do encontro de hoje com Chirac ter como objectivo a preparação da próxima reunião do G-8, a proximidade da reunião do Conselho Europeu - marcada para quinta e sexta - irá dominar as atenções dos líderes. Esta reunião vai centrar-se no orçamento da União Europeia para o período 2007-2013. Congelar o "cheque britânico" para o período 2007-2013 significaria "poupar" ao orçamento europeu entre 25 e 30 mil milhões de euros.

"Hoje deu-se a primeira discussão real sobre números concretos", afirmou o porta-voz, referindo-se à reunião entre Blair e Juncker. "O que a presidência luxemburguesa propõe é congelar o cheque. Parece que estamos de acordo com a presidência sobre o facto de que o custo desta decisão seria para nós de entre 25 a 30 mil milhões de euros", assinalou. "Isto não é aceitável para nós e dissémos isso mesmo à presidência [da UE]". Estas discrepâncias sobre o "cheque britânico" e sobre a política agrária estão a centrar o debate nos dias que antecedem o Conselho Europeu, que poderá terminar sem nenhum acordo, o que agravaria ainda mais a crise aberta no seio da UE depois do "não" da França e da Holanda à ratificação do tratado constitucional europeu, e depois do congelamento do referendo no Reino Unido.

Blair insiste na reforma da PAC

Blair, que no próximo dia 1 de Julho passara a ser o novo presidente da UE até ao final do ano, insistiu ontem para o facto da UE ter que reformar a sua política agrícola e, em geral, o seu orçamento.

"Sobre o financiamento, é preciso ter em conta os cidadãos e não podemos discutir o cheque britânico a não ser que discutamos todo o sistema de financiamento", afirmou Blair, perante os pedidos europeus para que reduza o valor do seu "cheque".

Horas mais tarde, Blair encontrou-se em Berlim com o chanceler alemão Gerhard Schroder, que insistiu para que os líderes europeus deixem de lado o seu "egoísmo nacional" e alcancem um acordo sobre o orçamento comunitário para 2007-2013.

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