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"Não há donos da República"

Manuel Alegre critica Mário Soares em "jantar de amigos" no Algarve

18.08.2005 - 07:53 Por Idálio Revez, Maria José Oliveira (PÚBLICO)

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"Quem perde os afectos, perde a alma." Foi assim que Manuel Alegre justificou o jantar de confraternização que lhe foi promovido, ontem em Faro, por apoiantes da sua candidatura para liderar do Partido Socialista, contra José Sócrates e João Soares, em Outubro passado. O encontro foi definido como um "jantar de amigos", mas o que pairava no ar era a expectativa de uma candidatura a Belém.

Pedro Inácio/PÚBLICO

Manuel Alegre diz que "não há salvadores" nem "homens providenciais"

A maioria dos convivas, militantes socialistas, chegou com a vaga esperança de que Manuel Alegre iria abordar o assunto das presidenciais, mas não tiveram uma resposta esclarecedora. À entrada para o restaurante, o vice-presidente da Assembleia da República, em declarações aos jornalistas, marcou o terreno, deixando um recado a Mário Soares: "Se quisesse promover uma candidatura a Belém, fazia as coisas de outra maneira."

Embora não se tenha referido explicitamente ao antigo chefe de Estado, Alegre disse: "Há pessoas que acham que os afectos não têm importância na política, eu acho que têm na vida e na política". Questionado sobre se sentia traído, respondeu: "Não, não... mas quando se perde os afectos, normalmente perde-se a alma." A declaração foi deixada cair, à chegada, com a indicação de que o motivo porque cerca de 60 pessoas se reuniram, a pretexto de jantar de amigos, não justificava "leituras políticas", mas era disso mesmo que se tratava nas conversas entre os presentes.

Contudo, antes do início do jantar, mais à vontade, Manuel Alegre fez uma intervenção, voltando a sublinhar as críticas indirectas a Mário Soares: "Não há salvadores, não há homens providenciais, nem da esquerda nem da direita, e não há donos da Republica." Fazendo apelo à "renovação da política", enfatizou a ideia de que "a cidadania faz-se com cidadãos, a democracia com democratas", expressando ao mesmo tempo a existência de um problema: "A qualidade da nossa República." Nesse sentido, assumindo-se leal aos princípios republicanos, defendeu a "renovação da política, segundo critérios republicanos". Apesar de não querer explicitar se está a ponderar avançar com uma candidatura a Belém, Alegre disse ao PÚBLICO que o encontro de ontem "é um sinal de que as pessoas estão inquietas". Depois do jantar, e em resposta a um militante que o questionou directamente se é ou não candidato à Presidência da República, Alegre afirmou: "Quem pode decidir são os que estão aqui hoje e noutros pontos do país."

Alegre é "um desalinhado"

Manuela Neto e Pires da Silva, coordenadora e mandatário da campanha do ex-candidato a secretário-geral do partido, respectivamente, foram os responsáveis por este jantar de "homenagem e solidariedade", como designa Neto, argumentando com o "momento complicado ao nível da disponibilidade de Manuel Alegre para se candidatar à Presidência da República". Todavia, esta professora universitária não descarta a possibilidade de o vice-presidente da Assembleia da República concorrer a Belém: "Está tudo em aberto", disse ao PÚBLICO, recordando que Alegre continua a manter a disponibilidade para se candidatar à Presidência da República. "Espaço há sempre, uma vez que as candidaturas são unipessoais, e Manuel Alegre representa uma alternativa à democracia."

Sobre a provável recandidatura de Mário Soares, Neto classificou-a como "extemporânea" e sublinhou que o PS "tinha a obrigação de gerar alternativas". Neste âmbito, esta militante, que pertence à comissão nacional do partido, não poupou críticas àqueles que denomina como "decisores privilegiados" do PS e à incapacidade do secretário-geral para lhes resistir. Apontando que Sócrates "acreditou durante muito tempo que Alegre era o seu candidato", Neto disse que o líder "foi ultrapassado por estes decisores e não teve força para se opor a eles". Escusando-se a explicitar a quem se referia, declarou somente que estes "decisores dominam o partido", pelo que "têm muito poder dentro do jogo partidário e levam a que o próprio líder mude a sua opinião pessoal". José Sócrates já manifestou publicamente o apoio da direcção socialista a uma eventual recandidatura de Mário Soares e sobre esta tomada de posição Neto argumenta com uma crítica velada ao secretário-geral: "[Sócrates] não teve força para se opor a estes decisores porque são eles que mantêm os presidentes dos partidos." Neste "jogo democrático viciado", como lhe chama, Alegre surge como um "desalinhado" e, por isso, é "penalizado": "Quem desalinha desta força é penalizado e Manuel Alegre tem desalinhado ao nível dos interesses partidários quando estes se misturam com interesses pessoais e económicos."

Um dos entusiastas do convívio, José Teiga, antigo mandatário em Loulé da candidatura de Maria de Lurdes Pintasilgo, disse ao PÚBLICO: "Manuel Alegre é um homem de causas e estive com ele na disputa para liderança do PS, mas também estarei na candidatura a Belém, sem reservas." Mas sobre o momento da decisão lamentou os atrasos: "Acho que ele já devia ter dado o passo em frente."

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Apoio a Manuel Alegre

É tempo dos portugueses tomarem como suas as instituíções deste país! Comecemos pelo Palácio de ...

Anónimo

18.08.2005 15:24

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